A chamada Trilha dos Tupiniquins também
denominada como Caminho de Paranapiacaba ou Caminho de Piaçaguera, foi a mais
antiga e principal ligação entre o litoral (baixada Santista) e a vila de São
Paulo de Piratininga, durante o período colonial.
Iniciava-se na vila de São Vicente,
atravessava uma área alagada (hoje Cubatão) e prosseguia pela serra do Mar
acima até às nascentes do rio Tamanduateí (atual Mauá) e daí ao córrego
Anhangabaú na aldeia do índio Tibiriçá em Piratininga (atual Pátio do Colégio,
no centro histórico de São Paulo). A trilha passava pelo território dos Tamoios
e, apesar de ser movimentada, nos primeiros tempos da colonização, muitos
viajantes foram por eles atacados e devorados. O percurso consumia dois dias
para subir e um para descer.
Devido ao movimento crescente na Trilha dos
Tupiniquins que, de São Vicente, dava acesso ao Caminho do Peabiru, Tomé de
Sousa proibiu o trânsito nessas vias, ameaçando com a pena de morte os infratores.

Trilha inicial do bandeirantismo, responsável
por extrapolar as fronteiras brasileiras interior adentro, os caminhos
concretizados pelo homem no curto trecho da Mata Atlântica,
compreendido entre o Vale de Pilões o e Vale do Quilombo, ganharam notoriedade por
todas as suas peculiaridades.
A
trilha ancestral dos índios Guainás, percorrida pelo homem branco a partir
de 1508, e substituída pelo Caminho do Padre Anchieta, em 1554, já
demonstravam uma linha de raciocínio lógica de geografia espacial, uma vez
que eram traçadas de tal forma que facilitasse a ascenção da íngrime Serra
do Mar. Mas ambas foram superadas em inovação pela Calçada do Lorena, de
1788, que alcançou o status de “Maior Obra da Engenharia Portuguesa
no Brasil”, em razão de seu incrível traçado em zigue-zague, com 180
curvas, medida esta que evitava qualquer obstáculo hidrográfico.



Rodovia Caminho do Mar –
Estrada Velha de Santos
A Rodovia Caminho do Mar (SP-148), também conhecida como
Estrada Velha de Santos, é uma rodovia brasileira que liga o litoral do estado
de São Paulo (Santos, via Cubatão) ao planalto paulista (São Paulo, via Região
do Grande ABC), e constitui-se em um dos chamados Caminhos do mar de São Paulo.
Desde 2004, está reservada ao tráfego de pedestres, sendo, portanto fechada
para automóveis de passeio particulares, só sendo percorrida por visitantes a
pé e de bicicleta, veículos de manutenção e micro-ônibus da Fundação Patrimônio
Histórico da Energia de São Paulo, administradora do Polo Ecoturístico Caminhos
do Mar, constituído pela Rodovia, pela Calçada do Lorena e outros monumentos
históricos.





Reformas
Em duas ocasiões, foram promovidas reformas de vulto, a cada
uma delas registrando-se a mudança de nome da via.
Estrada da Maioridade
O nome original da estrada. Tem esse nome em homenagem à
maioridade de dom Pedro II. Ela foi construída praticamente junto com a Estrada
de Ferro Santos-Jundiaí, que absorvia quase todo o seu tráfego. Apresentava um
trajeto muito sinuoso, mas era um monumento da engenharia, pois sua
antecessora, a Calçada do Lorena, não tinha mais que um metro de largura,
enquanto nessa era possível, inclusive, a passagem de carruagens. Com o tempo,
caiu no abandono. Veio então, a primeira reforma.
Estrada do Vergueiro
A Estrada da Maioridade continuou recebendo manutenção, e,
entre 1862 e 1864, passou novamente por uma grande reforma, cuja principal
característica foi o refazimento de alguns trechos para o melhor aproveitamento
da estrada, como a chamada Curva da Morte, uma curva bem fechada em plena
descida onde eram muito comuns os acidentes, vários deles causando a morte das
pessoas. Após essa reforma, a curva ganhou uma abertura bem maior. Mesmo com a
ferrovia absorvendo quase todo o tráfego entre a planície e o planalto, a
estrada continuou recebendo manutenção.
Caminho do Mar
Nas primeiras décadas do século XX, São Paulo passa por uma
"reconstrução", financiada pelo capital proveniente das exportações
de café. Por essa época é difundido o uso de automóveis. Também por essa época,
ocorre uma troca de valores: os governos construíam sempre várias ferrovias, e
a partir desta época os recursos públicos passaram a ser destinados à
construção de rodovias, deixando as ferrovias em segundo plano e dando a elas o
aspecto de "coisa do passado" que ainda existe até hoje. Em 1913, a
demanda de automóveis entre a planície e o planalto é muito grande, e a Estrada
do Vergueiro é macadamizada , permitindo o uso de automóveis na estrada, e logo
depois pavimentada com asfalto, tornando-se a primeira estrada asfaltada da América
Latina destinada para veículos de motor à explosão. Posteriormente seria
popularmente conhecida como Estrada Velha de Santos.
Monumentos
Em 1922, o então governador de São Paulo, Washington Luis,
mandou construir alguns monumentos pela estrada para comemorar o centenário da
independência do Brasil. São eles (do alto da serra para baixo):
Pouso Paranapiacaba
Quilômetro 44 - Traduzido da língua tupi,
"Paranapiacaba" quer dizer "Lugar do qual se vê o mar"
(paranã, mar + epîaka + aba, lugar).[4] Em dias limpos e sem neblina (situação
difícil de se encontrar na serra), realmente dá para se ver o mar, bem longe.
Fica bem no alto da serra antes de começar as grandes curvas, mas já na descida
da serra. Alguns dizem que Pedro I se encontrava com a Marquesa de Santos lá, o
que é um tremendo absurdo, pois o rompimento do casal ocorreu em 1829, a
marquesa morreu em 1867, o imperador voltou para Portugal em 1831, morrendo em
1834 e, como já foi dito, o Pouso foi construído em 1922. Era usada como parada
para os carros descansarem após a subida ou se prepararem para a descida.
Contava inclusive com uma bica para fornecer água para os radiadores dos
carros.
É obra de Victor Dubugras.
Ruínas
Quilômetro 44,5 - Uma casa em ruínas. Não se sabe muito bem
qual foi sua função. Especula-se que podia ser a casa dos engenheiros que
construíram a estrada.
Belvedere Circular
Quilômetro 46 - Marca o primeiro encontro da Calçada do
Lorena com a estrada (ao todo são 3 encontros).Realmente apresenta uma forma
circular. A Calçada do Lorena normalmente é usada a partir deste ponto em
excursões para o pólo ecoturístico, que se faz a pé, sendo que os turistas
entram pela calçada neste ponto e saem no próximo encontro com a estrada.
Rancho da Maioridade
Quilômetro 47 - Feito para servir de descanso aos turistas,
assim como o Pouso Paranapiacaba, ganhou esta nome em homenagem à Estrada da
Maioridade. Neste ponto, também havia uma bica para pôr água nos radiadores e
para as pessoas beberem.
Padrão do Lorena
Quilômetro 47,2 - Marca o terceiro e último encontro entre a
calçada e a estrada. Tem o nome em homenagem à Bernardo José Maria de Lorena,
governador da capitania de São Paulo, que mandou construir a calçada, que
ganhou o seu nome. O trecho em frente a esse monumento foi preservado com
macadame, isto é, macadamizado. É o único trecho da estrada com esta condição.
Depois do padrão, há um longo trecho sem nenhum monumento.
Pontilhão da Raiz da
Serra
Quilômetro 52 - O último monumento, já na planície, após o
fim da serra. Foi construído junto com o fim da pavimentação com asfalto da
estrada, com o propósito de homenageá-la. Não é de fato uma ponte, mas somente
as "paredes" da ponte fincada no chão. Antes, passava, por ali, um
rio, desviado para a construção da refinaria em Cubatão. Além desses monumentos,
durante a estrada toda é possível encontrar mirantes.
Do auge à queda em 40
anos
A ferrovia e a estrada estavam no auge, por volta de 1910.
Mas aí começou a queda. Em 1920, as duas juntas já não eram suficientes para
atender a demanda por transporte na região. A ferrovia começou a ter
congestionamentos e a estrada apresentava vários fatores que limitavam o número
de veículos circulando nela. Nessa época, São Paulo, o ABC e Cubatão estavam se
consolidando como parques industriais, aumentando ainda mais a demanda pela
ligação entre elas. A cidade de Santos e toda a sua baixada estavam se
transformando em pólos turísticos, o que decididamente exigia uma nova ligação
entre a planície e o planalto.
Em 1947, foi inaugurada a primeira pista da Via Anchieta; em
1953, a segunda; em 1974, foi inaugurada a pista norte da Rodovia dos
Imigrantes; e, em 2002, a pista sul. As técnicas de construção da Via Anchieta
eram muito mais aprimoradas do que as do Caminho do Mar. Logo, a Estrada foi passada
para trás e ficou subutilizada, assim ficando por várias décadas. No período
1992-2004, a estrada foi fechada e reformada, tornando-se, atualmente, o Polo
Ecoturístico Caminhos do Mar, que é formado pela estrada Caminho do Mar e por
um trecho da Calçada do Lorena.